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27/07/2018
Autor: Angela Hiluey
Relato sobre as XIV Jornadas Internacionais Relates/ 2018 em Buenos Aires.
Recorte de autoria de Angela Hiluey


Roberto Pereira; Angela Hiluey; Juan Luis Linares; Diana Laferte; Teresa Moratalla; Carmen Campo.


Esse relato tem o objetivo de por um recorte, fruto da experiência dessa narradora, nas XIV Jornadas Internacionais Relates- Rede Européia e Latino-americana das Escolas Sistêmicas, com o título: Cérebro, Emoção e Interação. Vamos compartilhar algumas das ideias às quais a narradora teve acesso. 

As Jornadas aconteceram nos dias 05, 06 e 07 de julho de 2018 na cidade de Buenos Aires e foram organizadas pela Escuela Sistémica Argentina, escola esta dirigida por Marcelo Ceberio e Horacio Serebrinsky.

Essa narradora dirige uma escola associada a Relates, o CEF- Centro de Estudos da Família Itupeva/ São PauloComo Presidente da ABRAP, levou também uma contribuição de nossa Entidade. 

Segundo o estatuto de Relates, as escolas associadas assumem o compromisso de, cada uma por sua vez, organizar uma edição das Jornadas Relates. O CEF organizou a XI edição das Jornadas, que aconteceram em São Paulo em 2015.

Na edição de 2018, observou-se uma programação instigante e diversificada, focando a prática com casais, família, grupos e a comunidade de modo geral.

O cronograma desse Evento está anexado para consulta e conhecimento dos trabalhos que estiveram disponíveis. Essa foi a maneira escolhida para garantir que os trabalhos apresentados sejam referidos nesse espaço, que se mostra insuficiente para prestar o devido reconhecimento a todos os relevantes temas tratados nessas Jornadas.

CRONOGRAMA RELATES 2018

COMUNICCAIONES LIBRES

TALLERES

Os trabalhos presenciados mostravam um alinhamento entre teoria e prática, evidenciando que a própria atuação era analisada segundo uma perspectiva investigativa. 

Houve um discurso geral mostrando a necessidade da presença da perspectiva integrativa em nossa prática psicoterapêutica, assim como a necessidade de nos ocuparmos da pessoa do psicoterapeuta durante a Formação.

Dunia Cayo Avalos, em taller, ocupou-se explicitamente do olhar do terapeuta.

Por outro lado Héctor Fernández-Álvarez, da Fundação Aigle, apresentou uma conferência focando a integração em psicoterapia. Apontou que a Integração é a palavra. Referiu-se a Gelso, 2011, quando explicita:

  • ·         o aumento na integração das técnicas e a relação terapêutica;
  • ·         o aumento do foco na integração das orientações teóricas;
  • ·         o aumento dos esforços na integração da investigação com a prática;
  • ·         aumento de revisões mais específicas e integrativas;
  • ·         integração do conhecimento da biologia e das neurociências;
  • ·         integração das questões relativas à diversidade e à cultura na psicoterapia.

Os trabalhos apresentados materializaram tais atitudes. 

Nesse sentido, Marcelo Ceberio e Sonia Rodriguez em sua perspectiva especificamente integraram neurônios espelho, relação social e contexto.

Juan Luis Linares teceu suas mais recentes observações e maneira de intervir focando a psicose. Uma intervenção relativa ao momento zero, aquele em que nasce o paciente identificado, mostrou ser uma estratégia relevante para a família dar-se conta que tiveram uma experiência de reconhecimento genuíno por esse filho.  Em conjunto com Lia Mastropaolo focou a Alienação Parental.

Roberto Pereira tratou dos tipos de luto disfuncionais e complicados.

Alfredo Canevaro, da Escola Mara Selvini Palazzoli, descreveu sua prática com o grupo multifamiliar na saúde pública na Itália, o que inclui a equipe de saúde.

Olga Falceto e José Ovídio Waldemar se ocuparam do desenvolvimento da perspectiva sistêmico no serviço público no Brasil.

Carlos Sluzki, ao lado de suas apresentações, esteve constantemente presente aos trabalhos e fazia suas considerações. Ao final conduziu o atendimento de um casal formado por atores e nos mostrou como intervir com serenidade, quando mostrou ser possível provocar movimento em 45 minutos de atendimento.

Rodolfo De Bernart, presidente da EFTA- Associação Européia de Terapeutas de Família, mostrou a riqueza do atendimento psicoterapêutico através de intervenções utilizando os recursos não-verbais. A possibilidade de ter acesso a informações e fazer intervenção através dos mesmos foi evidenciada.

Maurizio Coletti, do IEFCoS- Istituto Europeo di Formazione e Consulenza Sistemica com sua apresentação focando o que pode nos ensinar Sherlock Holmes, mostrou que temos uma maneira própria de empregarmos a curiosidade que é necessária a todo psicoterapeuta. Essa maneira própria resulta de termos alguns norteadores para saciar essa curiosidade. Útil será nos darmos conta dos mesmos.

Carmen Campo; Teresa Moratalla (que se encontra atualmente promovendo ações para a normatização da psicoterapia na Catalunia); Annete Kreuz; Elena Franco e Luis Elias Licera; Perla Montes de Oca; Helena Hintz e Ieda Dorfman focaram a terapia de casal sob diferentes ângulos.

Regina Giraldo (Colombia) focou a terapia de pais separados como uma forma de terapia baseada nos vínculos.

Raúl Medina (México) por sua vez, focou a Terapia Familiar numa perspectiva crítica e Sandro Giovanazzi (Chile) na perspectiva das psiconarrações focou o protocolo da primeira entrevista. Tanto Raúl como Sandro integram a diretoria de Relates.

Tanto Pier Giorgio Semboloni como Iolanda D´Ascenzo focaram o paciente psiquiátrico em suas exposições. E David Villarreal Zegarra focou os pais de adolescentes do Serviço de Saúde Mental.

Horacio Serebrinsky, por outro lado, focou sua atuação junto ao grupo de homens mostrando a relevância desse espaço para o diálogo entre eles. Enquanto Esteban Laso focou o futuro na terapia familiar, José Sorino tratou da volta dos filhos adultos a casa dos pais e José Baldeon Valdiva focou a ansiedade na pós-modernidade 

Mencionando a pós-modernidade, tivemos Gisella Echeverria que se ocupou de focar a relação dos seres humanos com os novos recursos que a tecnologia nos apresenta. Nossa missão é poder usufruir sem submergir aos mesmos e cuidar-se, pois o risco de violência através das redes sociais já é conhecido.

As Jornadas contaram ainda com um momento para prestar o reconhecimento a Carmen Campo por seu pioneirismo como formadora de psicoterapeutas sistêmicos na terapia de casal e família.  Alfredo Canevaro teve seu reconhecimento assegurado por ter lançado a primeira Revista de Terapia Familiar na Argentina.

Angela Hiluey, esta narradora, em sua exposição focou a relevância da recuperação da emoção como fonte de conhecimento, mostrando a utilidade dos recursos não-verbais para favorecer tal acesso, os quais a seguir poderão vir a ser alinhados graças ao pensar e a razão, e assim novas narrativas poderão ser construídas. A convite de Regina Giraldo, organizadora do grupo das Mulheres Relates, Angela Hiluey proferiu algumas palavras de reconhecimento a Carmen Campo, usando o idioma português, que já aparece como o idioma de algumas das Mulheres Relates.

E assim fomos nos despedindo desse solidário grupo constituído por homens e mulheres que juntos vão construindo o masculino e o feminino no mundo contemporâneo.

Enquanto realizamos tal construção, aguardaremos as próximas Jornadas Relates que acontecerão em Barcelona em 2019.